Release
Dia 11 de Julho, terça-feira a partir das 17H de 11/07 à 31/08 a Galeria MaPa apresenta a sua nova exposição:
José Oiticica filho, o modernismo na fotografia brasileira
“Para mim a máquina fotográfica, como os demais meios técnicos que entram no processo fotográfico, tem o mesmo papel que o pincel, tinta e a tela para o pintor. O que interessa é o resultado”.
José Oiticica Filho¹
Ao ampliar a percepção do registro fotográfico na direção de uma manifestação mais livre e independente, José Oiticica Filho (Rio de Janeiro, RJ 1906 – Rio de Janeiro, RJ 1964), apaga as fronteiras entre fotografia e pintura. Filho do pensador, professor e escritor José Oiticica (1882 -1957) e pai dos artistas Hélio Oiticica (1937 – 1980) e César Oiticica (1939), Oiticica, um dos principais representantes da moderna fotografia brasileira, formou-se em Engenharia Mecânica pela Escola Nacional de Engenharia, em 1930, e começou a fotografar por força da profissão de entomólogo, cargo que ocupou no Museu Nacional entre os anos de 1943 a 1964, quando deu início ao estudo sobre técnicas fotográficas, entre elas a microfotografia, de cunho científico. Uma vez familiarizado com a técnica, o artista transformou em artística uma atividade que seria meramente técnica, ao explorar diferentes formas de registrar seu objeto. Participou ativamente do ambiente fotoclubístico nacional onde o debate se dava em torno da técnica e da estética fotográfica, sendo um dos mais influentes integrantes. Neste período suas fotografias foram expostas em diversos países recebendo inúmeras premiações. Oiticica teve seu nome incluído na lista elaborada pela Fédération Internationale d’Art Photographique (FIAP) como um dos melhores fotógrafos do mundo. Durante a fase pictorialista fez uso, de modo pouco convencional, de contrastes acentuados de claro-escuro, desfoques, onde a função técnica mostra-se supervalorizada, demonstrando desde então, o seu desejo de interferir no processo fotográfico em busca da livre expressão. Após uma estadia em Washington, nos Estados Unidos, entre os anos de 1948 e 1950, quando foi contemplado por uma bolsa oferecida pela Fundação Gugenheim, Oiticica passa a questionar o plano pictórico propondo novos modos de ver engajando irremediavelmente o espectador a superar qualquer possibilidade de contemplação passiva. A partir de 1950, entra em conflito com a visão neorrealista defendida por Henri Cartier Bresson na qual a imagem é estruturada por meio de linhas e formas que contribuem para o equilíbrio da composição, que se dá no momento decisivo da tomada da fotografia. Para Oiticica “as possibilidades de composição dentro do retângulo haviam sido praticamente esgotadas, donde resulta que o fotógrafo, sob esse aspecto, apenas repete, academiza-se²”. Ao encontrar novas e diferentes possibilidades ao fazer uso da câmara, em busca de novas formas, o artista caminha rumo à abstração e sua arte aproxima-se do desenho, da pintura e da gravura.
A mostra que pode ser vista na Galeria MaPa, a partir do dia 9 de julho, reúne 24 trabalhos marcados pela abstração e pelo projeto construtivista, quando Oiticica radicaliza a expansão do campo fotográfico, rompe com os procedimentos legitimados pela fotografia tradicional, liberta o aparelho técnico em favor da auto expressão negando os fundamentos contidos no ato fotográfico. São imagens construídas a partir da manipulação da superfície do negativo ou da chapa de vidro, nas quais o autor utiliza técnicas de pintura, colagem entre outros procedimentos ampliando o campo da fotografia às artes plásticas dando início ao diálogo com os movimentos concreto e neoconcreto de São Paulo e do Rio de Janeiro. A superfície plana e modular acomoda-se ao seu desejo abstrato, através de variadas soluções, entre as quais o gesto manual do pintor em busca de sua própria expressão. A luminosidade intensa frequentemente produz a sensação de bidimensionalidade, uma vez que o grafismo obtido pelo contraste entre o branco e preto nas suas composições cria trajetos espaciais que não apresentam um ponto interior por onde a imagem se propaga.
Ao extrapolar a esfera da prática fotográfica, o artista antecipa-se ao embate entre arte e fotografia ocorrido a partir dos anos setenta, e com maior incidência na década de 1980, quando surge uma arte muitas vezes dominada exclusivamente pelo uso da fotografia que vai invadir os tradicionais territórios artísticos. Oiticica, no entanto, apresenta uma nova possibilidade de análise que passa a compreender o modo de fazer e todos os códigos embutidos neste gesto, uma vez que o ato fotográfico, para o autor, não poderia mais ficar limitado somente a imagem. A essência desse entendimento mais amplo sobre a fotografia, que revela a importância do processo fotográfico, foi um dos aspectos que impregnou a arte de Oiticica.
¹ Entrevista concedida a Ferreira Gullar em agosto de 1958.
² Entrevista concedida a Ferreira Gullar em agosto de 1958.
Marly Porto
Pesquisa e curadoria em fotografia.
SERVIÇO
GALERIA MaPa
Rua Costa, 31 – galeria (travessa da rua Bela Cintra, sentido centro)
Estacionamento cortesia na rua Bela Cintra, 314
de 2ª a 6ª , das 10H às 18H30 tel: +55 11 2337 3770
sábados somente sob agendamento
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