Foto: Thor Amêndola
Foto: Thor Amêndola

Marly Porto

Foi trabalhando no Banco de Imagens do Grupo Folha que aprendi a ver uma fotografia. Minha função consistia em criar narrativas por meio das imagens para ilustrar matérias de revistas, campanhas publicitárias e ainda, notícias do dia a dia, como um jogo de futebol ou fatos mais urgentes, como, por exemplo, o acidente que vitimou o piloto Ayrton Senna. Quando me desliguei da Folha, criei a Porto de Cultura e organizei o leilão de fotografias Fifty & Fifty. O resultado superou em tudo, teve boa adesão dos fotógrafos e grande repercussão na imprensa, me levando a realizar mais uma série de leilões em parceria com a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, entre os anos 1996 a 2001.

Passados alguns anos, e muitas fotografias e projetos depois, fui buscar na academia o conhecimento para complementar minha atividade profissional. Fiz o curso de “Arte: história, crítica e curadoria” (PUC-SP) e meu trabalho de conclusão de curso serviu de inspiração para o seminário que foi selecionado pela Caixa Cultural. Sob o título O sequestro da imagem: apropriações na fotografia, o evento contou com a participação dos artistas Oscar Muñoz (Colômbia), dos brasileiros Rosângela Rennó, Cassio Vasconcellos, além da curadora Francesca Lazzarini (Itália) e de David Evans (Reino Unido), autor do livro Appropriation – que havia sido a base de meu estudo.

Dando continuidade à vida acadêmica, me tornei Mestre em Estética e História da Arte (USP), publicando a dissertação Confrontos e paralelos: o Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Paulo (1942-1959). Durante o período em que cursava o mestrado, participei da conferência In Black and White: Photography, Race, and the Modern Impulse in Brazil at Midcentury (2017), organizada pelo Museum of Modern Art – MoMA (New York). O título da minha apresentação foi The Salons of Foto Cine Clube Bandeirante (Brazil, 1942-1960).

Em 2018, publiquei o livro Eduardo Salvatore e seu papel como articulador do fotoclubismo paulista, realizado através de prêmio recebido por meio de edital da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. No ano seguinte, fui convidada para desenvolver uma formação artística junto aos educadores do Institut d’Education et des Pratiques Citoyennes (IEPC), em Paris. A atividade foi interrompida por causa da pandemia do Covid-19. E assim como milhares de pessoas, meus planos e sonhos foram interrompidos e meu rumo ganhou novas direções.

Em 2021 e 2022, realizei o Festival Photothings, projeto que havia sido criado, em formato de feira, em 2015.  O projeto é dedicado a artistas visuais que têm a fotografia como suporte para seu trabalho e que não são representados comercialmente por galerias. Nestes dois anos, foram mais de 500 inscrições, provenientes de artistas de todo o Brasil com a publicação de 15 fotolivros que hoje integram a Coleção Photothings. 

O fotolivro Somos todos alvos aqui, de Rogério Vieira (Coleção Photothings, 2021), foi selecionado pela Revista ZUM e a Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles. 

Em 2021, publiquei o fotolivro Mergulho, do fotógrafo Allan Cunha, com texto do artista Alex Flemming. E, ainda o fotolivro Quem dera vontade só minha fosse, do fotógrafo Nego Jr.

Faço parte da comissão de fotografia brasileira contemporânea da Bibliotèque nationale de France e, atualmente, estou finalizando a pesquisa iconográfica de um livro sobre mercado da arte no Brasil para a editora Matrix, do querido Paulo Tadeu.

Em construção, vem aí mais um fotolivro!! e o lançamento de curso online dirigido para artistas visuais, que usam a fotografia para suporte para sua produção.

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