Bridging Horizons: Brazilian Photography Today
Por muitos anos o Brasil foi descrito como o país do futuro e a definição, radicada na tradição brasileira, mudou muitas vezes de significado ao longo das décadas.
Falava disso com ironia o famoso escritor Jorge Amado em seu livro de estreia “O País do Carnaval”, de 1931, e dez anos depois outro escritor, o austríaco Stefan Zweig, eternizou a expressão titulando seu penúltimo livro “Brasil, país do futuro”. Quase um século depois, vivemos em um mundo marcado pela incerteza, pela fragmentação, pela acumulação, justaposição de tempos e espaços, hibridismos e a arte contemporânea passa a assumir um permanente estado de descontinuidade. As imagens são cada vez mais hegemônicas em nosso convívio social forçando-nos a pensar e refletir como a fotografia está inserida no mundo da arte.
A exposição Bridging Horizons: Brazilian Photography Today apresenta um significativo recorte da pluralidade da fotografia brasileira atual, trazendo imagens que prendem a atenção, provocam interesse, atração e fascínio no observador. Revelam momentos do cotidiano e da vida, instigando nossas mentes e nosso imaginário.
São obras que emergem a partir da fábula de cada autor. Algumas trazem o silêncio para dentro da fotografia como aquelas apresentadas por Josemias Moreira, Ana Luzes e Maritza Caneca. Outras, apresentam aspectos mais híbridos de fusões de linguagem como os quadros de Josiane Dias, Juliana Pontés e Silvia Martins. Histórias com sobreposições e fragmentações podem ser vistas nas imagens de Baltar e Léo Mascaro lado a lado de trabalhos onde as relações entre corpo e espírito se mostram como um tema inquietante e podem ser experimentadas nas imagens de Márcia Grostein e Lívia Radwansky. O resultado plástico e estético da mostra se completa pela organização formal, sensibilidade e saturação de cores vistas nas fotografias de João Farkas e Paul Clemence. A mostra Bridging Horizons: Brazilian Photography Today não se encerra aqui e abre espaço para obras produzidas pelos alunos do Instituto de Pesquisas em Tecnologia e Inovação (IPTI) reforçando o interesse em torno da fotografia e as relações intersubjetivas que esta arte proporciona.
Com múltiplos olhares sobre a realidade, as imagens que integram a exposição nos convidam a derramar um olhar sem pressa, sobre cada obra exposta. São camadas de leituras que criam um jogo de interpretações e nos levam a refletir sobre o futuro.
Marly Porto
Curadoria e pesquisa fotográfica