FESTIVAL PHOTOTHINGS 2026
ESTÃO ABERTAS AS INCRIÇÕES PARA O PRÊMIO FOTOLIVRO ARTESANAL
As inscrições – gratuitas- para o Prêmio Photothings de Fotolivro Artesanal 2026 estão abertas até 2 de agosto! Se você tem um ensaio fotográfico e deseja transformá-lo em um fotolivro, esta é a oportunidade de apresentar seu trabalho e integrar a programação do Festival Photothings.
O fotolivro artesanal é desenvolvido pelas mãos da Eliana Yukawa, do Yume Ateliê & Design. Diferente de uma publicação convencional, um fotolivro artesanal é produzido manualmente, com design diferenciado e cuidado em todas as etapas, desde a escolha dos papéis, aos acabamentos especiais para a capa e encadernação, tornando o exemplar uma peça única, um livro objeto, um livro de artista.
O ensaio “Menor de Quebrada”, de Rafael Felix, foi selecionado entre os melhores fotolivros publicados no ano pelo Festival ZUM, do Instituto Moreira Salles (IMS), em 2022. Já “Vidas Amazônidas – Retratos de um Acre que Resiste“, de Paulo H. Costa, selecionado em 2024, hoje integra o acervo da Bibliotèque nationale de France (Paris).
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Prêmio Fotolivro Artesanal
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COLEÇÃO PHOTOTHINGS
Sem um tema pré-estabelecido, buscamos delinear um panorama plural da fotografia autoral, revelando uma geração de artistas que enfrentam dificuldades de acesso ao mercado, ainda concentrado em poucas galerias e feiras de arte. Dessa forma, o objetivo do Photothings é “furar a bolha” e mostrar a riqueza da produção fotográfica de diversas regiões do Brasil.
A equipe do Festival PHOTOTHINGS agradece a cada artista que decidiu compartilhar sua produção fotográfica conosco nesta edição.
Recebemos 282 inscrições provenientes de todas as regiões do Brasil. Mais do que um dado quantitativo, esse conjunto de ensaios constitui um importante recorte da produção fotográfica autoral contemporânea e reafirma o reconhecimento do Festival como espaço de circulação, legitimação e ampliação de oportunidades para artistas em diferentes momentos de trajetória.
Ao observarmos o perfil das inscrições recebidas, identificamos uma concentração significativa de participantes oriundos da região Sudeste, bem como predominância de inscrições realizadas por homens e pessoas brancas. Longe de ser um dado isolado, esse cenário evidencia dinâmicas históricas de desigualdade que ainda estruturam o acesso aos mecanismos de visibilidade, reconhecimento institucional e inserção no campo artístico brasileiro.
É precisamente nesse contexto que o Festival PHOTOTHINGS reafirma seu posicionamento curatorial.
Partimos do entendimento de que a construção de um panorama mais consistente da fotografia brasileira exige a criação de mecanismos ativos de redistribuição de oportunidades e ampliação das condições de participação. Por essa razão, 60% dos ensaios selecionados serão destinados a artistas residentes nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do país, bem como a mulheres, pessoas negras, pessoas oriundas de povos indígenas, comunidades tradicionais, incluindo povos de terreiro e quilombolas, populações nômades e povos ciganos, pessoas do segmento LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência e outros grupos historicamente sub-representados.
Para nós, diversidade não constitui um marcador simbólico ou uma política de representatividade formal. Trata-se de um princípio curatorial orientado pela compreensão de que a produção de imagens é atravessada por condições materiais, geográficas, sociais e históricas distintas e que ampliar quem produz e quem circula é ampliar também as formas de imaginar, narrar e produzir o país.
Nosso objetivo é mostrar que muita coisa boa que está sendo produzida Brasil afora, não tem como ser exibida porque as oportunidades são poucas, o custo é alto, inviabilizando, principalmente, a oportunidade para aqueles que vivem nas regiões mais empobrecidas do país.
O Festival segue.
Entre os dias 13 de julho e 2 de agosto estarão abertas as inscrições para o Prêmio Fotolivro Artesanal, iniciativa que conta com a parceria de Eliana Yukawa, artesã e Júlio Mattos, designer gráfico.
Em breve vamos abrir as inscrições para as leituras de portfólio.
ANOTE NA AGENDA
Nos dias 26 e 27 de setembro, o Festival PHOTOTHINGS acontece no Centro Cultural Monte Azul. A programação reunirá encontros, conversas e atividades com Cícero Costa, Jef Delgado, Jéssica Mangaba, Marina Frúgoli, Paul Clemence, Paulo Henrique Costa, Roger Cipó, entre outros convidados, ampliando os diálogos entre produção artística, pensamento crítico e circulação cultural.
RESULTADO
O Festival Photothings 2026 selecionou cinco ensaios para integrar sua Coleção de fotolivros autorais. Entre 282 projetos de todas as regiões do país, a comissão julgadora — formada por Claudia Prechedes, Gabriela Longman, César González-Aguirre, Ilana Bar e Mariano Klautau Filho — escolheu narrativas que reafirmam a potência e a pluralidade da fotografia brasileira contemporânea.
Os selecionados são:
Alex Oliveira, com “Fotoperformance Popular”; O projeto Fotoperformance Popular, idealizado por Alex Oliveira desde 2019, consiste na instalação diária de um estúdio itinerante em praças e feiras de diversas cidades brasileiras por pelo menos um mês. A iniciativa propõe uma ocupação sistemática do espaço público e uma experimentação profunda do retrato.
No cerne do processo, transeuntes e moradores são convidados para um jogo compositivo em tempo real. Nessa experiência social e afetiva, os anônimos transcendem a condição de modelos e tornam-se personagens de si mesmos, criando narrativas visuais entre a pose e o bastidor.
O projeto atualiza a memória dos antigos fotógrafos lambe-lambe, cujo ofício — hoje raro — unia a intimidade do retratado à exposição do espaço coletivo. Nas ruas, o termo “fotoperformance” em cartazes funciona como um dispositivo de estranhamento. Esse ruído conceitual abre fendas no cotidiano, trazendo à tona as tensões, desejos e particularidades de cada contexto urbano.
Com um caráter nômade, a estrutura se nutre das respostas singulares do público através de poses, gestos e objetos. O resultado é um acervo que mapeia a paisagem humana por meio de uma coreografia de gestos superlativos. Em última análise, a obra investiga a performance além do circuito artístico tradicional, abordando-a pela performatividade dos territórios e das identidades culturais. Assim, consolida-se a rua como um laboratório estético e social indispensável para a vida em comunidade.
Dan Agostini, com “Palomas”; O processo de autonomia é a busca de muitas mulheres trans e travestis que vivem em situação de vulnerabilidade no Brasil. Desde 2020, venho documentando a vida de algumas mulheres a fim de compreender como o contexto social no qual elas estão inseridas pode impactar e potencializar o estado de vulnerabilidade extrema que muitas vivem, compreendendo também as possibilidades e dificuldades que podem ser encontradas durante o processo de autonomia e independência econômica.
Paloma é uma dessas mulheres que compartilhou sua história de violência, prostituição, desamparo, cárcere, sonhos e coragem. Há cinco anos, Bárbara e Mirela também dividem suas trajetórias, marcadas por desafios relacionados à moradia, saúde, dependência química, relações afetivas e sobrevivência. Atualmente, Bárbara segue em situação de rua e dependência química, enquanto Mirela, aceitou retornar para Belém, sua cidade natal, para superar o uso do crack e receber tratamento médico com o cuidado e apoio de seus familiares.
Palomas é um registro sobre a urgência e o clamor por transformações, alicerçado na força e coragem de travestis e mulheres transexuais que resistem em um país marcado pelo preconceito e discriminação que compromete a garantia de seus direitos humanos. O Brasil continua sendo o país que mais assassina pessoas trans e travestis no mundo.
Giordano Toldo, com “Catanduvas: reminiscências da revolução esquecida”; Existem guerras que sobrevivem em fotografias. A fotografia lhes concede um lugar na memória e, muitas vezes, torna-se a principal forma pela qual o passado permanece visível.
A Guerra de Catanduvas não teve esse destino.
Travada entre novembro de 1924 e março de 1925, no oeste do Paraná, a Guerra de Catanduvas integrou as revoltas tenentistas que marcaram a história política brasileira do século XX e culminaram na formação da Coluna Prestes. Entretanto, não há fotografias dos combates, dos disparos ou da destruição.
Como imaginar um acontecimento que não foi fotografado? Como produzir imagens para uma história que permaneceu invisível?
Caminhos, paisagens, objetos desenterrados, rostos e memórias tornaram-se pistas de um acontecimento que continua inscrito no território cem anos depois.
Hoje, com cerca de dez mil habitantes e economia ligada principalmente ao agronegócio, Catanduvas carrega uma peculiar sobreposição de tempos históricos. À memória da guerra soma-se a presença da primeira penitenciária federal de segurança máxima do país, como se a paisagem local preservasse um instante contínuo da violência brasileira, onde conflito, vigilância e controle permanecem inscritos sob diferentes formas.
Diante da ausência de imagens, recordar exige imaginar. Reunindo fotografias digitais e analógicas em médio formato, este trabalho costura paisagens, retratos e objetos para refletir sobre as marcas que a guerra continua projetando sobre a paisagem do presente.
Hudson Rodrigues, com “Bambas”; Ser bamba é arte e sobrevivência. É o movimento exato que a gente faz para desviar dos tombos e das barreiras enquanto cruza a cidade. O que antes a minha inocência de criança tentava não enxergar, hoje encaro de frente através da minha fotografia. Mesmo sem incentivo e sem espaço, a gente continua na luta, firme. Eles sabem muito bem o que tiraram da gente. Vamos pegar de volta pela nossa presença, pela nossa voz e pela imagem. Somos bambas de corpo e alma. É um swing visceral que não vem só do batuque, mas da nossa capacidade de gingar e resistir nas situações mais adversas.
Katarina Lima Flor, com “Jequitinhonha Retrofuturista – Barroco Tupiniquim”; Este trabalho enfrenta as imagens historicamente associadas ao Vale do Jequitinhonha, durante décadas enquadrado pelo prisma da falta, da seca e da velhice. Esta série nasce do desejo de apresentar outras camadas sem negar as marcas do tempo, nem reduzi-las a um único sentido.
As fotografias reúnem elementos cotidianos do Vale: o bordado em ponto cruz, a rodia na cabeça para sustentar peso, coités, mantas de algodão tecidas por minha avó e as bananas colhidas por meu pai. São vestígios de trabalho, herança e continuidade que, ao serem deslocados de seus contextos habituais, sugerem leitura que escapam ao puramente documental.
Um facão afiado corta o véu que separa o passado e o futuro. Há uma atenção aos rostos e corpos de jovens, mulheres, trabalhadores e às máscaras de argila que moldei a partir das técnicas tradicionais de modelagem em cerâmica do Vale do Jequitinhonha, introduzindo uma ambiguidade deliberada. Criar rostos para o tempo é disputar o que se projeta como futuro.
O Barroco Tupiniquim aponta para uma estética de excesso. As cores saturadas e intensas convivem com sombras densas e silhuetas quase negras assumindo contraste como linguagem, enfrentando a poeira da seca. Esta série propõe imaginar o Vale fora da narrativa única que o fixou como passado. Ao reorganizar símbolos tradicionais em cenas que misturam memória e invenção, o trabalho sugere que o futuro também pode ser construído a partir de uma imaginação que reinvente aquilo que sempre esteve presente.
EXPOSIÇÃO COLETIVA
Além da seleção dos 5 ensaios que integrarão a Coleção Photothings em formato de fotolivro, todos os trabalhos inscritos no Festival Photothings também concorrem à participação na exposição fotográfica coletiva.
A exposição será composta por 40 fotografias selecionadas pela equipe curatorial do Festival, produzidas em impressão fine art, no formato 40 × 60 cm ou equivalente. A abertura ao público acontecerá em 26 de setembro, no Centro Cultural Monte Azul.
Comissão de seleção





DÚVIDAS
As inscrições para o prêmio fotolivro artesanal estão abertas? Sim, estão abertas até o dia 2 de agosto
As inscrições são gratuitas? Sim
Quando sai o resultado?Dia 10 de agosto
Como fico sabendo se fui selecionado? Você receberá um e-mail e o resultado será divulgado através dos nossos canais de comunicação
Sou estrangeiro, mas vivo no Brasil, posso me inscrever? Não
Moro na região sudeste do Brasil, posso me inscrever? Sim
Inscrições enviadas por e-mail serão aceitas? Não
Posso submeter um projeto gráfico para o prêmio fotolivro Coleção Photothings? Não. O projeto gráfico é desenvolvido pela Porto de Cultura.
Posso alterar o título do ensaio depois de selecionado? Não
Depois de selecionado a curadoria do Festival pode sugerir a edição, modificação ou adaptação na seleção das imagens? Sim.
O texto que submeti durante a inscrição sobre meu ensaio fotográfico será usado na edição do livro? Sim
REALIZAÇÃO: